A Infra S.A. iniciou uma nova etapa das obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol II), na Bahia, com a realização da reunião de kick-off do lote 05FC — considerado um dos trechos mais complexos do projeto. O contrato prevê investimento de R$ 467,9 milhões e prazo de execução de 43 meses para um segmento de 35,75 quilômetros entre Guanambi e Caetité.
O lote já havia sido alvo de licitação em setembro de 2025, quando a estatal buscou contratar a empresa responsável pelos projetos e pela execução dos serviços remanescentes. O traçado original precisou ser alterado para afastar a ferrovia de áreas sensíveis, como a Barragem de Ceraíma, a Vila de Ceraíma e uma região próxima a uma mina de ametistas, em Brejinho das Ametistas, distrito de Caetité. À época, o investimento estimado era de R$ 507,1 milhões.
De acordo com a Infra S.A., o trecho concentra desafios significativos de engenharia, incluindo a construção e conclusão de sete viadutos e outras estruturas em uma área de relevo acidentado. O projeto também incorpora ações para reduzir impactos ambientais, garantir a segurança hídrica e monitorar condições geotécnicas em pontos considerados críticos.
A obra é considerada estratégica para destravar gargalos históricos da Fiol II e avançar na consolidação do corredor logístico Fico-Fiol. Com 481 quilômetros de extensão, a ferrovia liga o oeste baiano a Caetité, onde se conecta à Fiol I, que seguirá até o futuro Porto de Ilhéus. A integração com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), em Goiás, também está prevista, ampliando a capacidade de escoamento de grãos e minérios, estimada em até 50 milhões de toneladas por ano.
A revisão do traçado no trecho entre Guanambi e Caetité foi fundamental para viabilizar a obra. O projeto original passava próximo à Barragem de Ceraíma e à comunidade local, o que levou o Ibama a impor restrições. Com o redesenho, a ferrovia foi afastada dessas áreas e passou a contar com medidas adicionais de proteção.
Os estudos técnicos também apontam que as características do terreno exigem técnicas específicas de escavação e contenção, com controle rigoroso de vibrações para evitar danos a moradias e estruturas hídricas. O projeto prevê ainda critérios de segurança para detonações, métodos adequados de demolição e monitoramento contínuo, visando reduzir riscos à população e garantir a segurança da futura operação ferroviária.




