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Ex-secretária de Saúde de Vitória da Conquista diz que deixou governo “muito magoada” e relata falta de autonomia

Fernanda Maron Secretaria

A ex-secretária municipal de Saúde de Vitória da Conquista, Fernanda Oliveira Maron, fez nesta terça-feira (26) um duro relato sobre os bastidores de sua saída da gestão da prefeita Sheila Lemos. Em entrevista ao programa UP Notícias, da Rádio UP FM, conduzido pelo radialista Deusdete Dias, a ex-gestora afirmou que deixou o cargo “muito magoada”, denunciou falta de autonomia administrativa e atribuiu sua exoneração a articulações políticas internas.

Em tom de desabafo, Fernanda afirmou que enfrentava interferências constantes na condução da Secretaria Municipal de Saúde e revelou que integrantes do próprio governo influenciavam decisões da pasta por relações pessoais e políticas.

“Quando nós assumimos como secretária, nós queremos ter autonomia e nós não tínhamos. Eu não tinha autonomia na Secretaria de Saúde, a verdade é essa. Nós tínhamos profissionais o tempo inteiro interferindo por conta de laços de amizades internos”, declarou.

Segundo a ex-secretária, o desgaste aumentou após uma conversa direta com a prefeita Sheila Lemos. Fernanda afirmou que ouviu críticas sobre sua atuação à frente da pasta e relatou que a situação provocou o rompimento definitivo entre ambas.

“A minha saída foi desejo da prefeita. Ela entrou em contato comigo dizendo o que eu tinha entregue para a saúde, o que eu tinha trazido de recursos para a saúde. Eu escutei três frases dela que realmente me deixaram muito magoada”, afirmou.

Fernanda também relatou que a prefeita teria sugerido que ela própria apresentasse pedido de exoneração, proposta que, segundo ela, foi recusada.

“Ela ainda me sugeriu que eu solicitasse a exoneração. Eu falei que não iria solicitar, que ela pudesse me exonerar”, disse.

Durante a entrevista, a ex-gestora associou sua saída às movimentações políticas do grupo governista para as eleições de 2026. De acordo com Fernanda, ela recebeu informações de que sua substituição estaria relacionada ao projeto político de Wagner Dias, apontado como pré-candidato a deputado estadual pelo União Brasil.

“Uma semana antes do acontecido eu recebi uma ligação dizendo que provavelmente eu iria sair por conta da política, por conta da candidatura do esposo da prefeita”, declarou.

A ex-secretária afirmou ainda acreditar que a troca no comando da Saúde ocorreu em meio a articulações político-partidárias.

“A gente entende que tem todas as articulações. Apesar de eu ter minha posição política, eu ocupava uma pasta que precisava ser muito técnica”, afirmou.

Nos bastidores da política conquistense, o nome de Cláudio Feres passou a ser citado como possível articulador da mudança na secretaria. Fernanda disse ter tomado conhecimento de conversas envolvendo o ex-gestor, embora tenha evitado ataques pessoais.

A entrevista também evidenciou reflexos da disputa política dentro do grupo ligado ao União Brasil em Vitória da Conquista. Prima do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, Fernanda reafirmou alinhamento político com o líder oposicionista baiano, mas evitou anunciar apoio para deputado estadual.

“Eu ainda não declarei meu apoio a nenhum candidato estadual”, afirmou.

A declaração ocorre em meio às movimentações de pré-candidaturas locais, entre elas a da vereadora Dra. Lara Fernandes, que esteve recentemente ao lado de Fernanda e ACM Neto em encontro político na cidade.

Outro ponto de repercussão foi o relato da ex-secretária sobre a inauguração da nova sede da Unidade de Saúde Régis Pacheco, realizada nesta terça-feira (26). Fernanda afirmou ter sido surpreendida com a retirada de seu nome da placa inaugural da obra, apesar de, segundo ela, o material já estar pronto anteriormente com sua identificação como secretária municipal de Saúde.

“Hoje eu fui pega de surpresa com a retirada do meu nome da placa”, declarou.

Apesar das críticas e da mágoa demonstradas ao longo da entrevista, Fernanda encerrou a participação afirmando que deixa a gestão “de cabeça erguida” e que seguirá atuando em Vitória da Conquista.

“Eu estarei aqui em Vitória da Conquista, lutando pelos nossos servidores e lutando pela nossa população”, concluiu.

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