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Brasil classifica como “injustas” possíveis tarifas dos EUA e intensifica negociações para evitar sobretaxas

exportação

O governo brasileiro voltou a criticar a possibilidade de os Estados Unidos imporem novas tarifas sobre produtos brasileiros e classificou a medida como “injusta”. A posição foi reforçada durante reunião de alto nível realizada nesta terça-feira (14) entre autoridades brasileiras e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na véspera da decisão do governo norte-americano sobre a adoção das sobretaxas.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), este foi o quinto encontro entre representantes dos dois países desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump concordaram em criar um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial.

Governo brasileiro contesta investigação

Em nota oficial, o Mdic afirmou que as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não possuem fundamento técnico suficiente para justificar a criação de novas barreiras comerciais.

Entre as medidas em análise estão uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a uma investigação sobre trabalho forçado, que também poderá atingir exportações de outros países.

“O governo brasileiro reiterou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, destacou o ministério.

Diálogo continua

Além do Mdic, participaram da reunião representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República.

Segundo o governo federal, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o diálogo com Washington para buscar uma solução negociada que evite prejuízos ao comércio entre os dois países.

Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que, apesar dos avanços nas negociações nos primeiros meses, a posição da administração norte-americana se tornou mais rígida nas últimas semanas.

Motivos da investigação

As possíveis tarifas são resultado de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O governo americano questiona práticas adotadas pelo Brasil em áreas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos (Pix), proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.

O governo brasileiro, por sua vez, sustenta que nenhuma dessas alegações justifica a imposição das medidas comerciais.

Decisão deve sair nesta quarta-feira

O prazo para conclusão da investigação termina nesta quarta-feira (15), quando o governo dos Estados Unidos deverá anunciar oficialmente se aplicará as novas tarifas e divulgar a lista definitiva dos produtos que poderão ser afetados.

Entre os itens citados nas recomendações preliminares estão aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.

Exportações podem ser impactadas

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros poderão ser atingidos caso as tarifas sejam confirmadas.

Esses produtos representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Entre os itens potencialmente afetados estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.

Enquanto aguarda a decisão dos Estados Unidos, o governo brasileiro afirma que continuará priorizando o diálogo diplomático, mas não descarta a adoção de medidas de resposta caso as sobretaxas sejam efetivamente implementadas.

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