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Governador sanciona tombamento de dois tradicionais terreiros de Candomblé como patrimônio cultural da Bahia

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O governador Jerônimo Rodrigues sancionou o tombamento de dois importantes e históricos terreiros de Candomblé da Bahia, que passam a integrar oficialmente o patrimônio cultural do estado. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (23) e reforça a preservação das tradições religiosas de matriz africana.

Com a sanção, o Ilê Asé Kalê Bokûn, em Salvador, e o Terreiro Omo Ilê Agboulá, em Itaparica, passam a fazer parte do Livro do Tombamento dos Bens Imóveis do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), garantindo maior proteção aos seus patrimônios histórico, cultural e religioso.

Ilê Asé Kalê Bokûn é referência da tradição Ijexá

Localizado no bairro da Plataforma, em Salvador, o Ilê Asé Kalê Bokûn foi fundado em 20 de agosto de 1933 pelo babalorixá Severiano Santana Porto, filho de Logunedé.

O terreiro é considerado o primeiro da tradição Ijexá tombado no Brasil e é dedicado aos orixás Logunedé e Oxum. Ao longo de sua trajetória, tornou-se uma importante referência na preservação da cultura afro-brasileira.

O espaço já havia sido reconhecido como Patrimônio Material da Bahia, em 2006, pelo Ipac, e recebeu, em 2019, o título de Patrimônio Cultural Municipal de Salvador, concedido pela Fundação Gregório de Mattos.

Terreiro Omo Ilê Agboulá preserva tradição dos Egúngún

Também contemplado pelo decreto, o Terreiro Omo Ilê Agboulá, localizado no município de Itaparica, foi fundado em 1934 pelos irmãos Eduardo, Pedro e Olegário Daniel de Paula, descendentes de uma tradicional linhagem dedicada ao culto dos Egúngún, cerimônia voltada à veneração dos ancestrais.

Reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2015, o terreiro é considerado um dos principais símbolos da preservação da religiosidade de matriz africana e da resistência contra a intolerância religiosa.

A instituição também se destaca pelo protagonismo das mulheres na condução dos rituais, na organização comunitária e na transmissão dos saberes tradicionais às novas gerações.

Preservação da cultura afro-brasileira

Com o tombamento oficial, os dois espaços passam a contar com instrumentos legais que fortalecem sua preservação, garantindo a proteção de suas estruturas, tradições e manifestações culturais.

A iniciativa reforça o compromisso do Estado da Bahia com a valorização do patrimônio histórico e religioso de matriz africana, reconhecendo a importância dos terreiros na formação da identidade cultural baiana e na preservação da memória, da ancestralidade e da diversidade religiosa.

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