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Ex-ferroviário relembra trabalho pesado na antiga ferrovia e dificuldades enfrentadas durante a ditadura

SALVADOR RODRIGUES

Aos 80 anos, o ex-ferroviário Salvador Rodrigues guarda na memória as dificuldades enfrentadas durante os anos em que trabalhou na manutenção da ferrovia que corta a região de Brumado. Em entrevista à Rádio Alternativa, ele relembrou o período em que atuou na antiga Rede Ferroviária, marcado por trabalho totalmente braçal, longas jornadas e poucas condições de segurança.

Nascido em 1946, Salvador contou que iniciou suas atividades na ferrovia em 1972, participando da reforma do trecho entre Contendas do Sincorá e Brumado. Segundo ele, naquela época praticamente não existiam máquinas para auxiliar os trabalhadores.

“Seis homens precisavam carregar um trilho de 18 metros que pesava cerca de 600 quilos. Tudo era feito na força do braço. A troca dos dormentes, a perfuração dos trilhos, era tudo manual”, recordou.

O ex-ferroviário afirmou que os trabalhadores tinham pouca autonomia e precisavam cumprir rigorosamente as determinações dos superiores. “A gente não tinha vez nem voz. Se reclamasse, podia perder o emprego”, disse.

Salvador também destacou que as condições de trabalho eram bastante precárias. As refeições eram feitas ao ar livre, mesmo em dias de chuva, sem estrutura adequada para descanso. “Hoje vejo as equipes trabalhando com máquinas, barracas, mesas e equipamentos modernos. No nosso tempo era diferente. A comida era no meio da chuva, com a água caindo dentro do prato”, relembrou.

Após décadas de trabalho pesado, ele afirma que carrega até hoje as consequências físicas da profissão, principalmente problemas na coluna, resultado do esforço repetitivo durante os anos de serviço.

Apesar das dificuldades enfrentadas, Salvador acredita que as condições de trabalho melhoraram significativamente ao longo dos anos. “Hoje o trabalhador tem mais direitos, horário, equipamentos e melhores condições. É uma realidade muito diferente daquela que nós vivemos”, concluiu.

O relato de Salvador Rodrigues resgata um importante capítulo da história da ferrovia na região e homenageia milhares de trabalhadores que ajudaram a manter o transporte ferroviário funcionando em uma época em que quase todo o serviço dependia exclusivamente da força humana.

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