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Indústria de motocicletas registra melhor semestre em 15 anos e monitora risco de seca na Amazônia

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A indústria brasileira de motocicletas encerrou o primeiro semestre de 2026 com o melhor desempenho dos últimos 15 anos. Entre janeiro e junho, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 1.063.397 motocicletas, um crescimento de 6,3% em relação ao mesmo período de 2025.

Apesar do resultado positivo, o setor já se prepara para um desafio que pode impactar a produção nos próximos meses: a possibilidade de uma nova seca severa na Amazônia, que pode comprometer o transporte de componentes e o escoamento da produção pelo sistema fluvial da região.

Setor se prepara para possível estiagem

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Bento, as montadoras estão trabalhando em conjunto com os governos estadual e federal para minimizar os impactos de uma eventual seca.

“Estamos nos preparando para enfrentar uma seca de grandes proporções, caso ela ocorra. Hoje temos o aprendizado do que aconteceu há dois anos, quando enfrentamos esse fenômeno climático extremo. As medidas emergenciais são realizadas em parceria com os governos estadual e federal, como a dragagem dos rios”, afirmou.

A preocupação se deve à forte dependência do transporte fluvial na região amazônica, essencial para a chegada de peças às fábricas e para o envio das motocicletas ao restante do país.

BR-319 é apontada como alternativa logística

Além das ações emergenciais, a Abraciclo defende investimentos estruturais, como a recuperação e pavimentação do trecho central da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).

Segundo a entidade, a integração entre os modais rodoviário e hidroviário tornaria a logística da indústria mais resistente aos eventos climáticos extremos.

El Niño preocupa especialistas

O planejamento do setor leva em consideração a atuação do fenômeno El Niño, cuja configuração foi confirmada em junho.

Modelos climáticos indicam mais de 90% de probabilidade de permanência do fenômeno até o início de 2027, com possibilidade de intensificação nos próximos meses.

A previsão para o trimestre entre julho e setembro aponta chuvas abaixo da média em áreas do centro-norte do Brasil, o que pode reduzir o nível dos rios amazônicos.

Até o fim de junho, entretanto, o nível do Rio Negro, em Manaus, permanecia dentro da normalidade para o período.

Recorde histórico de emplacamentos

Enquanto a indústria acompanha as condições climáticas, o mercado segue aquecido.

No primeiro semestre foram emplacadas 1.174.344 motocicletas, número recorde e 14,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Pela primeira vez, o Nordeste liderou o mercado nacional em volume de vendas, com 384,4 mil motocicletas licenciadas, ligeiramente à frente do Sudeste, que registrou 383,6 mil unidades. Ambas as regiões representam cerca de 32,7% do mercado brasileiro.

Motos de até 160 cilindradas continuam liderando

As motocicletas de até 160 cm³ continuam sendo a principal categoria produzida no país.

No semestre foram fabricadas 831.213 unidades, correspondendo a 78,2% da produção nacional.

Já as motos de média cilindrada totalizaram 199.899 unidades, enquanto os modelos acima de 450 cm³ alcançaram 32.285 unidades.

Embora representem apenas 3% da produção, as motocicletas de alta cilindrada apresentaram o maior crescimento proporcional, com avanço de 37,2%.

Produção caiu em junho

Após meses de crescimento, junho registrou uma desaceleração na produção.

Foram fabricadas 130.875 motocicletas, queda de 29,9% em relação a maio e de 15,1% na comparação com junho de 2025.

Segundo a Abraciclo, a redução ocorreu devido às férias coletivas programadas pelas fabricantes, período utilizado para manutenção e ajustes nas linhas de montagem.

Mesmo assim, o varejo continuou aquecido, com 194.249 motocicletas emplacadas em junho, alta de 8,3% em relação ao mesmo mês do ano passado.

As exportações também cresceram e somaram 24.084 unidades no primeiro semestre, avanço de 29,4%.

Expectativa para 2026

A Abraciclo manteve a projeção de produção de 2,07 milhões de motocicletas em 2026, o que representaria um crescimento de 4,5% sobre o ano anterior.

Para alcançar a meta, o setor aposta na continuidade da demanda aquecida, mas reconhece que a logística será decisiva diante da possibilidade de novos eventos climáticos extremos na Amazônia.

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