Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Federal deflagrou uma grande operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. O esquema, segundo as investigações, pode ter causado prejuízos superiores a R$ 500 milhões.
De acordo com informações da GloboNews, entre os principais alvos da operação estão o CEO e um ex-sócio do Grupo Fictor, empresa que ganhou destaque recente no mercado financeiro e empresarial.
Mandados e prisões
A ofensiva policial é de grande escala e inclui:
- Quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 empresas
- 43 mandados de busca e apreensão
- 21 mandados de prisão preventiva
- Ações em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia
Até o momento, 14 pessoas já foram presas.
Como funcionava o esquema
As investigações começaram em 2024, quando surgiram indícios de um sistema estruturado de fraudes financeiras. Segundo a PF, o grupo atuava por meio de:
- Cooptação de funcionários de instituições financeiras
- Uso de empresas para movimentação de dinheiro ilícito
- Estratégias de ocultação de recursos (lavagem de dinheiro)
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 47 milhões em bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros.
Crise no Grupo Fictor
O Grupo Fictor, fundado em 2007 por Rafael Góis, começou como uma startup de tecnologia e expandiu sua atuação para setores como:
- Mercado financeiro (private equity e fintechs)
- Agronegócio
- Energia e infraestrutura
Nos últimos meses, porém, a empresa enfrenta uma forte crise:
- Clientes sacaram cerca de R$ 2,1 bilhões após abalo na confiança
- Pedido de recuperação judicial com dívidas de aproximadamente R$ 4 bilhões
- Mais de 13 mil credores, incluindo o Palmeiras, que encerrou contrato de patrocínio recentemente
A situação se agravou após uma tentativa de compra do Banco Master, que não se concretizou.
Suspeita de ligação com o crime organizado
Um dos pontos mais graves da investigação envolve possível conexão com o crime organizado. A PF apura se o grupo tinha ligação com o chamado “Bonde do Magrelo”, associado ao Comando Vermelho.
A suspeita é de que a empresa teria participado de esquemas de lavagem de dinheiro provenientes do tráfico de drogas, em um contexto de disputa com o Primeiro Comando da Capital no interior paulista.
Crimes investigados
Os envolvidos podem responder por diversos crimes, incluindo:
- Organização criminosa
- Estelionato qualificado
- Lavagem de dinheiro
- Gestão fraudulenta
- Corrupção ativa e passiva
- Crimes contra o sistema financeiro nacional
As penas somadas podem ultrapassar 50 anos de prisão.
Quem é Rafael Góis
Rafael Góis, fundador e CEO do Grupo Fictor, iniciou sua trajetória ainda jovem no mercado financeiro. Com experiência em gestão de crédito e atuação em empresas privadas, ele construiu a holding que hoje reúne negócios em diferentes setores da economia.
Descrito por colegas como alguém focado e estratégico, Góis agora está no centro de uma das maiores investigações recentes envolvendo o sistema financeiro brasileiro.
Conclusão
A Operação Fallax revela um esquema complexo que mistura fraude bancária, uso de empresas de fachada e possíveis conexões com o crime organizado. O caso ainda está em andamento e pode trazer novos desdobramentos nos próximos dias, impactando não apenas o setor financeiro, mas também o ambiente empresarial no país.




