A democracia não se enfraquece apenas quando suas instituições são atacadas. Ela também perde força quando a verdade deixa de ser um elemento central do debate público e a desinformação passa a ser utilizada como instrumento de disputa política.
A divergência de ideias é parte essencial de qualquer sistema democrático. Governos precisam ser fiscalizados, opositores têm o direito de criticar e a sociedade deve participar ativamente das decisões. O problema surge quando o confronto político abandona argumentos e propostas para dar espaço a discursos construídos com base em manipulações, ataques pessoais e conteúdos feitos apenas para gerar repercussão nas redes sociais.
Nos últimos anos, a chamada “política da lacração” ganhou espaço no ambiente digital, transformando muitas discussões em disputas por engajamento. Em vez de convencer pelo diálogo e pela apresentação de ideias, alguns agentes políticos buscam mobilizar apoiadores por meio da indignação, da polarização e de atitudes pensadas para viralizar.
O episódio envolvendo o deputado estadual Leandro de Jesus, durante a inauguração da BA-649, rodovia que liga Itabuna a Ilhéus, trouxe novamente esse debate à tona. A atitude do parlamentar ao retirar uma placa de inauguração gerou repercussão e críticas, entre elas a do secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, que classificou o ato como incompatível com a responsabilidade esperada de um representante público.
Independentemente das posições políticas envolvidas, o caso levanta uma reflexão sobre os limites da atuação parlamentar. A oposição e a crítica fazem parte da democracia, mas precisam estar acompanhadas de responsabilidade, respeito às instituições e compromisso com os fatos.
Um mandato político não deve ser medido apenas pela capacidade de produzir conteúdos de grande alcance nas redes sociais. A função de um parlamentar envolve fiscalizar, propor soluções, defender interesses coletivos e contribuir para o desenvolvimento da sociedade.
Atitudes consideradas por críticos como espetacularização política podem acabar produzindo efeitos contrários aos objetivos pretendidos. No cenário eleitoral, ações que geram desgaste de imagem podem afetar não apenas o próprio parlamentar, mas também grupos políticos aos quais ele está vinculado.
No caso específico, a repercussão do episódio abriu espaço para um novo embate político entre situação e oposição na Bahia. Enquanto aliados do deputado defendem sua postura como uma forma de manifestação, adversários utilizam o episódio para questionar sua conduta e associá-la a uma política baseada em confronto.
O eleitor, porém, tem um papel fundamental nesse processo: analisar informações, comparar argumentos e formar sua opinião com base em fatos. A democracia se fortalece quando as escolhas são feitas a partir de propostas, resultados e compromissos públicos, e não apenas por narrativas construídas para gerar emoção.
O desafio atual é preservar a qualidade do debate político em um ambiente onde a velocidade das redes sociais muitas vezes favorece conteúdos polêmicos em detrimento de discussões mais profundas. Quando a política se distancia da verdade e se aproxima apenas da disputa por atenção, toda a sociedade perde.




