Balanço da Operação Narco Fluxo inclui mais de 100 itens eletrônicos, munições e joias; veículos apreendidos de funkeiros e produtores de conteúdo ultrapassam R$ 20 milhões
A Polícia Federal deflagrou, na quarta-feira (15), a Operação Narco Fluxo com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão provenientes do crime organizado.
A ação resultou na prisão dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa, ligado à página Choquei. Segundo a investigação, o grupo utilizava bens de alto valor para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Bens apreendidos
A PF divulgou um balanço consolidado dos itens confiscados:
- 55 carros de luxo e motocicletas, avaliados em mais de R$ 20 milhões
- 120 armas e munições
- 56 joias e relógios, incluindo peças da marca Rolex
- 53 celulares
- 56 dispositivos eletrônicos, como computadores, tablets e notebooks
- R$ 300 mil em dinheiro
- US$ 7,3 mil em espécie (cerca de R$ 36 mil)
- Documentos e registros financeiros
Entre os itens de maior destaque estão uma Mercedes-Benz G63 rosa, avaliada em cerca de R$ 2 milhões, e uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren, encontradas na mansão de Chrys Dias.
Na casa de MC Ryan SP, os agentes apreenderam um colar de ouro com a imagem de Pablo Escobar, emoldurada pelo mapa do estado de São Paulo.
Como funcionava a operação
A ofensiva é um desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, realizadas entre 2023 e 2024, que já investigavam esquemas ligados à exportação de drogas e ao uso de apostas para ocultação de dinheiro.
Ao todo, cerca de 200 policiais federais cumpriram 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão.
As ações ocorreram simultaneamente em oito estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás — além do Distrito Federal.
A 5ª Vara Federal de Santos determinou o sequestro de bens e o bloqueio de ativos dos investigados para evitar a dissipação do patrimônio.
Esquema de lavagem de dinheiro
De acordo com a PF, a organização utilizava o setor artístico e o ambiente digital como fachada para “limpar” recursos ilícitos.
O dinheiro teria origem no tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, além de apostas ilegais e rifas digitais clandestinas.
Para ocultar os valores, o grupo empregava diferentes estratégias:
- Transferências fracionadas (“smurfing”) para escapar do monitoramento do Coaf
- Uso de empresas de fachada e “laranjas”, incluindo produtoras musicais e estabelecimentos comerciais
- Conversão de valores em criptomoedas para dificultar o rastreamento
- Utilização de influenciadores com grande alcance para movimentar recursos sem levantar suspeitas imediatas
Perfis fora do ar
Após as prisões, os perfis oficiais de MC Ryan SP e Chrys Dias no Instagram foram retirados do ar.
O cantor, que soma mais de 15 milhões de seguidores, e o influenciador, com mais de 14 milhões, tiveram suas contas indisponibilizadas. Usuários que tentam acessá-las encontram a mensagem de que o conteúdo não está disponível.
Procurada, a Meta informou que não comentará o caso.
O que dizem as defesas
A defesa de MC Ryan SP afirma que o artista é íntegro e que todas as suas transações são lícitas, com origem comprovada.
O advogado de MC Poze do Rodo informou que ainda não teve acesso ao processo, mas que irá se manifestar na Justiça para buscar a liberdade do cantor.
Já a defesa de Raphael Sousa sustenta que sua relação com os investigados é exclusivamente publicitária, limitada à venda de espaço para divulgação digital.
A defesa de Chrys Dias não foi localizada até a última atualização desta reportagem.




