Moradores de Retirolândia, no nordeste da Bahia, voltaram a levantar suspeitas sobre a gestão municipal. As novas denúncias apontam possíveis irregularidades, incluindo favorecimento, acúmulo de contratos e uso indevido de recursos públicos.
De acordo com relato enviado ao Portal A TARDE, um dos pontos centrais envolve a concessão de benefício social à esposa de um empresário local. Segundo a denúncia, Alice Santana de Andrade, servidora da Secretaria de Educação, estaria recebendo Bolsa Família no valor de R$ 950 mensais, além de auxílio gás, mesmo possuindo renda formal.
Ainda conforme as informações, o benefício teria sido autorizado pelo secretário municipal de Assistência Social, Railton Costa, conhecido como “Rau”, que também ocupa o cargo de vice-prefeito. Alice, que atua como diretora na pasta da Educação, receberia salário mensal de R$ 4.054,24.
A denúncia aponta ainda que ela é casada com o empresário Ronald Sampaio, proprietário de um posto de combustíveis no município. O denunciante afirma que, além dela, o próprio empresário mantém diversos contratos com a Prefeitura, especialmente com a Secretaria de Educação, envolvendo locação de veículos e fornecimento de serviços.
Segundo o relato, os valores recebidos por Ronald poderiam chegar a cerca de R$ 121 mil mensais, incluindo contratos de transporte escolar, fornecimento de combustível e outros serviços. Também há questionamentos sobre a legalidade dessas contratações, com suspeitas de ausência de licitação em alguns casos.
Outro ponto levantado diz respeito ao suposto uso de uma empresa intermediária para viabilizar pagamentos. De acordo com a denúncia, a empresa Argo Bahia teria vencido licitação apenas para emissão de notas fiscais, sem possuir veículos próprios prestando serviço ao município.
Há ainda indícios de possível nepotismo. O empresário Ronald Sampaio seria sobrinho do prefeito José Egnildo dos Santos, conhecido como Guene, além de primo da atual secretária de Educação, Renilma Rios. A denúncia levanta dúvidas sobre a relação entre os vínculos familiares e os contratos firmados com a administração pública.
As suspeitas surgem poucos meses após outra polêmica envolvendo a Secretaria de Educação. Em fevereiro, servidores relataram que teriam sido liberados do expediente sob a condição de participar de um evento político, sob risco de sanções administrativas.
Procurados pela reportagem, os citados foram contatados, mas apenas o secretário Railton Costa se manifestou. Ele afirmou que a beneficiária do Bolsa Família já recebe o auxílio desde 2017, antes de sua gestão, e que o município não tem autonomia sobre a concessão de benefícios como o auxílio gás, que é definido pelo Governo Federal.
O secretário informou ainda que eventuais irregularidades serão encaminhadas ao Conselho Municipal de Assistência Social e à Caixa Econômica Federal, responsáveis pela análise e possíveis medidas.




