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EUA reforçam estratégia para ampliar influência na América Latina e endurecem combate ao crime organizado

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O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, tem ampliado sua atuação na América Latina dentro de uma nova estratégia de política externa divulgada pela Casa Branca em dezembro de 2024. O plano prevê maior presença militar e ações mais rígidas de segurança no hemisfério ocidental, com foco no combate ao tráfico de drogas, imigração ilegal e influência de países considerados rivais pelos norte-americanos.

Segundo o documento, os EUA pretendem reposicionar forças militares e ampliar operações na região para enfrentar o que classificam como “ameaças urgentes” à segurança nacional.

Entre os principais pontos da estratégia estão:

  • ampliação da presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas e combater tráfico de drogas, tráfico humano e imigração ilegal;
  • reforço da proteção das fronteiras e intensificação das ações contra cartéis e organizações criminosas;
  • ampliação do acesso dos EUA a áreas consideradas estratégicas na América Latina.

A nova política também destaca a retomada da chamada Doutrina Monroe, criada no século XIX pelo então presidente James Monroe, baseada no princípio de “A América para os americanos”. O governo Trump afirma que pretende restaurar a predominância dos Estados Unidos no hemisfério e conter o avanço da influência chinesa na região.

O documento afirma que Washington buscará impedir que países de fora do continente ampliem presença militar ou controlem ativos estratégicos na América Latina.

PCC e Comando Vermelho entram na mira dos EUA

Dentro dessa estratégia regional, o governo americano classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras e terroristas globais.

Em comunicado oficial, autoridades americanas afirmaram que as facções brasileiras estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que os grupos possuem atuação internacional.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que as organizações ultrapassam fronteiras brasileiras e representam ameaça também para outros países da região e para os próprios Estados Unidos.

“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”, afirmou Rubio em publicação nas redes sociais.

Governo Lula tentou evitar medida

Nos bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou para tentar impedir a classificação das facções como organizações terroristas.

A preocupação do Palácio do Planalto é que a decisão abra espaço para medidas mais rígidas por parte dos Estados Unidos e até para justificativas de futuras intervenções internacionais em casos extremos.

Especialistas em segurança pública destacam que a legislação brasileira já prevê punições severas para organizações criminosas e avaliam que a lei antiterrorismo pode gerar debates diplomáticos e jurídicos sobre soberania nacional.

A medida reforça o posicionamento da gestão Trump de endurecer ações contra cartéis e facções criminosas em toda a América Latina, dentro de uma política de segurança regional mais agressiva.

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