--:--
--:--
  • cover
    Estamos Ao Vivo

Ao Vivo

--:--
--:--
  • Rádio Web
  • cover
    Estamos Ao Vivo
Edit Template

Documentos da Receita apontam pagamentos do Banco Master a empresa ligada ao filho de Otto Alencar, atual integrante do TCE-BA

otto x vorcaro

Um levantamento obtido pelo jornal O Globo junto à Receita Federal detalha relações entre o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, e nomes influentes da política baiana. Entre os citados nos registros de pagamento está Otto Alencar Filho, filho do senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo estadual.

De acordo com os documentos, a empresa Mollitiam Financeira — da qual Otto Filho é sócio por meio da M&A Participações — recebeu cerca de R$ 12 milhões do Banco Master no período entre 2022 e 2025.

Ex-deputado federal e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), Otto Alencar Filho afirmou, em nota, que a M&A possui participação em diversas empresas e que todos os serviços prestados foram devidamente faturados, contabilizados e tributados, em conformidade com a legislação. Ele acrescentou que a empresa não exerce função de gestão nas companhias das quais é acionista.

Os dados da Receita também apontam pagamentos a outros agentes políticos e assessores de diferentes correntes partidárias na Bahia, indicando a atuação ampla do banco em diversos grupos. Entre os nomes citados está o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), cuja empresa de consultoria teria recebido R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025.

Em nota, ACM Neto declarou não ter acesso direto aos dados mencionados, mas afirmou que o contrato com o Banco Master foi firmado em período em que nenhum sócio de sua empresa ocupava cargo público. Disse ainda que prestava serviços de análise político-econômica e se colocou à disposição de órgãos como o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para eventuais esclarecimentos, além de defender a apuração sobre o vazamento de informações fiscais.

Outro vínculo citado envolve a BN Financeira, cuja sócia Bonnie Toaldo Bonilha é casada com um enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Segundo os registros, a empresa recebeu cerca de R$ 14 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, sendo metade desse valor apenas no último ano. O contrato teria sido firmado em 2021.

Procurada, a BN Financeira negou ligação com o senador e informou que presta serviços de prospecção e intermediação de operações de crédito ao banco. A empresa afirmou que todos os valores foram recebidos de forma regular, com emissão de notas fiscais e declaração à Receita Federal, e destacou não haver investigação sobre o caso.

Os registros incluem ainda repasses à Meta Consultoria, empresa do ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento, que atuou no governo Jair Bolsonaro. Segundo os documentos, a empresa recebeu R$ 6,2 milhões apenas em 2025. Bento chegou a ser convocado pela CPI do Crime Organizado por sua atuação anterior no setor financeiro.

A relação do Banco Master com a Bahia ganhou força após a entrada do empresário Augusto Ferreira Lima na estrutura societária da instituição. Ele foi preso na Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado, e teve crescimento nos negócios após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), durante a gestão do então governador Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil.

Na ocasião, Lima adquiriu o Credcesta, cartão de benefícios voltado inicialmente a servidores públicos baianos, cuja atuação foi ampliada nacionalmente em parceria com o Banco Master. Ele também mantém presença em Brasília e, no ano passado, casou-se com Flávia Peres, ex-ministra e ex-deputada federal.

Nos bastidores políticos da Bahia, a repercussão do caso levou lideranças de diferentes grupos a avaliarem que a exploração do tema em campanha eleitoral poderia gerar desgaste generalizado. Segundo interlocutores, isso teria contribuído para um entendimento informal entre adversários para evitar o uso do assunto como pauta eleitoral.

Ao comentar a privatização da Ebal, Rui Costa afirmou, anteriormente, que a operação foi viabilizada pelo modelo de crédito consignado associado ao negócio.

Você pode gostar...

Conteúdo relacionado.