Candidato do PL autorizou o levantamento de dados dos últimos 20 anos e cobrou a divulgação de informações de familiares, antigos assessores e entidades ligadas ao presidente
A disputa presidencial ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21). Durante um ato de campanha em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que aceita abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas condicionou a medida à divulgação de informações mais amplas relacionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manifestação ocorreu em resposta ao desafio feito por Lula para que os dois candidatos permitissem o acesso aos próprios dados e aos de familiares. Flávio classificou a proposta do adversário como falsa e alegou que a abertura apenas do telefone pessoal do petista teria alcance limitado.
“Ele fez um desafio fake para mim. O Lula nem tem celular, como é que ele quer abrir o sigilo do telefone dele? Só que eu não só vou aceitar o desafio, como eu vou levar até as últimas consequências”, declarou o candidato durante a agenda em Guarulhos.
Campanha apresenta petição ao TSE Após o ato, a equipe jurídica de Flávio protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma petição na qual o candidato autoriza o levantamento de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos. A autorização, porém, foi apresentada junto com uma série de condições dirigidas ao adversário. Agência Brasil
Entre as exigências está a divulgação dos dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete de Lula. Flávio argumenta que o antigo assessor recebia e fazia ligações em nome do presidente.
A petição também pede informações sobre empresas ligadas aos filhos de Lula, o Instituto Lula e a empresa L.I.L.S. Palestras. A lista inclui ainda despesas do cartão corporativo da Presidência, compromissos da primeira-dama Janja da Silva e registros de visitantes e reuniões no Palácio do Planalto. g1
Documento cita Vorcaro e Roberta Luchsinger A equipe do candidato do PL solicitou ainda a divulgação de informações sobre as relações do governo com Daniel Vorcaro e com a lobista Roberta Luchsinger, investigada no caso das fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a petição, Marco Aurélio Ribeiro teria recebido R$ 249 mil de Luchsinger. A menção representa uma alegação apresentada pela campanha de Flávio e não, por si só, uma comprovação de irregularidade. O documento também pede registros de reuniões e visitas de Vorcaro a instalações do governo federal.
Flávio afirmou não se opor à divulgação de mensagens que teria trocado com Vorcaro. As exigências apresentadas ao TSE fazem parte da estratégia política do candidato para ampliar o alcance do desafio lançado por Lula na reta final da campanha.
Campanha de Lula diz que aceitará condições Horas depois, a coordenação política da campanha de Lula informou que o presidente aceitaria as condições apresentadas pelo adversário. Segundo Camilo Santana, a campanha petista protocolaria uma resposta no TSE com autorizações para a abertura dos sigilos solicitados, inclusive os de Marco Aurélio Ribeiro. Reuters
A troca de acusações intensificou a polarização a poucos dias do segundo turno, marcado para domingo (25). Enquanto a campanha de Flávio tenta associar o governo a suspeitas envolvendo pessoas próximas a Lula, a equipe petista explora investigações relacionadas ao entorno e ao patrimônio do candidato do PL.
As suspeitas citadas pelas duas campanhas continuam sujeitas à apuração dos órgãos competentes e não devem ser tratadas como prova de responsabilidade sem decisão das autoridades.




