Deputadas da oposição bolsonarista na Câmara dos Deputados realizaram, na última terça-feira, uma manifestação contra a permanência da deputada Erika Hilton (PSol-SP) na presidência da Comissão dos Direitos da Mulher. O grupo contesta o processo de eleição que levou a parlamentar ao cargo e pede sua renúncia.
As parlamentares alegam que houve irregularidades regimentais na votação. Segundo a deputada Carla Dikson (União-RN), o principal ponto de contestação está no resultado do primeiro escrutínio, no qual Erika Hilton teria recebido 12 votos em branco.
Na avaliação da oposição, esse resultado configuraria derrota, o que impediria a realização de um segundo turno — etapa que acabou garantindo a eleição da deputada do PSol.
Em entrevista, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) criticou tanto o processo eleitoral quanto a atuação de Erika à frente da comissão. “Nós fizemos representação no Conselho de Ética. O Novo fez, o Missão fez, eu fiz, outros gabinetes também. Apresentamos recurso porque consideramos que a eleição não foi legítima. Ela teve 12 votos em branco no primeiro escrutínio. Então, perdeu a eleição e, ainda assim, houve um segundo escrutínio, o que não tem amparo no regimento”, afirmou.
Zanatta também acusou a presidente da comissão de limitar o debate dentro do colegiado. Segundo ela, requerimentos apresentados pela oposição não estariam sendo analisados. “Ela sequer recebeu nossos requerimentos extrapauta, sob a argumentação de que seriam discriminatórios. Eu propus uma audiência pública para dar voz a mulheres que dizem ter sido perseguidas por ela, inclusive mulheres de esquerda. Tudo vira processo, tudo vira acusação. Não dá para debater assim”, declarou.
A manifestação aumenta a pressão política sobre Erika Hilton, cuja permanência no comando da comissão segue sendo alvo de contestação por parte de parlamentares conservadoras.




