Levantamento também mostra altos índices de rejeição entre os principais nomes cotados para a disputa presidencial.
Uma pesquisa nacional divulgada neste sábado (7) pelo Instituto Datafolha revela um cenário de forte polarização na corrida presidencial de 2026. O levantamento mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentram os maiores índices de rejeição entre os possíveis candidatos ao Palácio do Planalto, ao mesmo tempo em que aparecem na liderança das simulações eleitorais. O estudo também aponta empate técnico entre os dois em um eventual segundo turno e indica o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), como alternativa competitiva caso Lula não dispute a reeleição.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03715/2026.
Polarização aparece também na rejeição
De acordo com o Datafolha, os dois nomes que lideram os cenários eleitorais são também os que enfrentam maiores índices de rejeição entre os eleitores. Questionados sobre em quem não votariam de forma alguma no primeiro turno, os entrevistados responderam:
- Lula (PT): 46%
- Flávio Bolsonaro (PL): 45%
- Fernando Haddad (PT): 27%
- Ratinho Jr. (PSD): 19%
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 18%
- Romeu Zema (Novo): 17%
- Eduardo Leite (PSDB): 15%
- Renan Santos (Missão): 14%
- Ronaldo Caiado (União Brasil): 14%
- Aldo Rebelo (DC): 12%
O levantamento reforça a manutenção da polarização política que marca as eleições brasileiras desde 2018. Em comparação com a pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2025, a rejeição aos dois principais nomes cresceu: Lula tinha 44% e Flávio Bolsonaro registrava 38% naquele momento.
Lula lidera no primeiro turno
Nas simulações de primeiro turno, Lula aparece na frente em todos os cenários testados pelo instituto, embora com vantagem menor em relação aos adversários.
No cenário considerado mais provável, os números são os seguintes:
- Lula (PT): 38%
- Flávio Bolsonaro (PL): 32%
- Ratinho Jr. (PSD): 7%
- Romeu Zema (Novo): 4%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Aldo Rebelo (DC): 2%
Ainda segundo a pesquisa, 11% dos entrevistados afirmaram rejeitar todos os candidatos apresentados, enquanto 3% disseram não saber em quem votar.
Na intenção de voto espontânea — quando o entrevistado não recebe uma lista de candidatos — Lula aparece com 25%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 12%. O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, é citado por 3% dos entrevistados.
Segundo turno aponta disputa acirrada
O Datafolha também simulou cenários de segundo turno entre os principais nomes. Em um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o resultado indica disputa apertada:
- Lula: 46%
- Flávio Bolsonaro: 43%
Considerando a margem de erro da pesquisa, o resultado é classificado como empate técnico. O levantamento mostra ainda que a vantagem do presidente diminuiu em relação à pesquisa de dezembro de 2025, quando ele aparecia com cerca de 15 pontos percentuais à frente do senador.
Haddad aparece como alternativa no PT
A pesquisa também avaliou cenários com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato à Presidência.
No primeiro turno, Haddad registra 21% das intenções de voto, atrás de Flávio Bolsonaro, que aparece com 33% nesse cenário.
Em um eventual segundo turno entre os dois, o resultado também indica equilíbrio:
- Flávio Bolsonaro: 43%
- Fernando Haddad: 41%
O levantamento aponta ainda que Haddad tem rejeição menor que Lula, com 27%, além de enfrentar um nível de desconhecimento um pouco maior entre os eleitores. Segundo o Datafolha, 86% afirmam conhecer Haddad, enquanto Lula é conhecido por praticamente 100% dos entrevistados.
Nos bastidores do Partido dos Trabalhadores, Haddad é citado como possível alternativa caso Lula decida não disputar a eleição, embora o presidente já tenha declarado publicamente que pretende buscar a reeleição.
Governadores têm menor rejeição
Entre governadores citados como possíveis candidatos ao Planalto, os índices de rejeição são mais baixos. Os percentuais registrados foram:
- Ratinho Jr. (PSD): 19%
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 18%
- Romeu Zema (Novo): 17%
- Eduardo Leite (PSDB): 15%
- Ronaldo Caiado (União Brasil): 14%
Apesar disso, esses nomes ainda aparecem distantes dos dois principais candidatos nas intenções de voto.
Perfil do eleitorado
O levantamento também mostra diferenças no perfil de apoio aos principais candidatos.
Segundo o Datafolha:
- Lula apresenta melhor desempenho entre eleitores do Nordeste, católicos e pessoas de menor renda.
- Flávio Bolsonaro tem maior apoio entre eleitores evangélicos e nas regiões Sul, Norte e Centro-Oeste.
Entre os entrevistados com renda de até dois salários mínimos, Lula alcança 42% das intenções de voto. Já Flávio Bolsonaro registra 48% entre eleitores evangélicos, grupo que representa 28% da amostra da pesquisa.
Fatores políticos e econômicos influenciam cenário
O ambiente eleitoral também é impactado por fatores políticos e econômicos recentes. Entre os temas presentes no debate público estão o escândalo envolvendo o Banco Master, investigações relacionadas ao INSS, além do cenário econômico marcado por juros elevados e incertezas internacionais, como os efeitos da guerra no Oriente Médio.
Embora o impacto direto desses fatores na eleição ainda não seja totalmente mensurável, analistas avaliam que questões relacionadas à economia e à percepção de corrupção tendem a influenciar o comportamento do eleitorado, especialmente entre setores da classe média.
Com informações da Folha de S.Paulo.




