Chefe do programa nuclear iraniano rebate declaração de Donald Trump e reafirma continuidade do enriquecimento; países vivem cessar-fogo frágil e iniciam negociações na sexta (10), no Paquistão
O chefe do programa nuclear do Irã, Mohammad Eslami, afirmou nesta quinta-feira (9) que o país não pretende limitar suas atividades nucleares, mesmo diante da pressão internacional. A declaração ocorre às vésperas da retomada das negociações com os Estados Unidos, previstas para começar nesta sexta-feira (10), no Paquistão.
Segundo Eslami, o Irã manterá o direito de enriquecer urânio. Em declaração divulgada pela agência estatal Isna, ele afirmou que nenhuma força externa será capaz de interromper o programa nuclear iraniano. O dirigente também criticou ações recentes contra o país, classificando-as como ineficazes e motivadas por interesses políticos.
A posição contraria declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia afirmado na quarta-feira que o Irã não teria permissão para continuar enriquecendo urânio no cenário pós-guerra. Segundo Trump, os EUA pretendem atuar, em cooperação com o Irã, na remoção de materiais nucleares considerados sensíveis.
As negociações entre os dois países começam em meio a um cessar-fogo considerado frágil, iniciado no início da semana. O governo iraniano, inclusive, acusa seus adversários de já terem violado o acordo.
O enriquecimento de urânio é um dos principais pontos de divergência entre Irã e Estados Unidos. Enquanto Washington acusa Teerã de buscar o desenvolvimento de armas nucleares, o governo iraniano afirma que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos.
Dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão ligado à ONU, indicam que o Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% de pureza — nível considerado próximo ao necessário para a produção de armamento nuclear.
As tratativas devem buscar uma solução definitiva para o conflito, que também envolve Israel e mantém a tensão elevada no cenário internacional.




