A agressão covarde sofrida pela senhora Luciene, de 60 anos, no último sábado (24), na região de Ubirassaba, causou comoção e revolta na comunidade. O caso foi comentado pelo delegado titular da Delegacia Territorial de Brumado, Dr. Leonardo Soares, que falou à Rádio Alternativa sobre a gravidade da violência e a importância do registro policial em situações semelhantes.
Segundo o delegado, a vítima relatou que foi atacada pelas costas, sem qualquer chance de defesa. Após a primeira agressão, Luciene teria desmaiado e, mesmo assim, continuou sendo espancada. A violência só cessou após a intervenção de pessoas que estavam próximas, que prestaram socorro à idosa.
“É uma situação que causa muita comoção. Estamos falando de uma senhora de 60 anos, agredida de forma extremamente covarde”, destacou o delegado.
Histórico de violência sem registros oficiais
De acordo com o relato da família, o agressor já possui um histórico de violência na comunidade, inclusive contra familiares. No entanto, o delegado explicou que não há registros formais anteriores na Polícia Civil contra o suspeito.
A própria vítima informou que seu esposo teria sido agredido pelo mesmo homem em 2024, sofrendo lesões, mas não chegou a registrar ocorrência na época. Essa ausência de registros dificulta a atuação policial e judicial.
“Fica um vácuo para a polícia. Sem registros, não há como comprovar o histórico de violência desse indivíduo em um processo futuro”, explicou Dr. Leonardo Soares.
A importância de registrar, mesmo sem representar criminalmente
Com 22 anos de experiência na Polícia Civil, o delegado fez um apelo direto à população: toda vítima de violência deve procurar a delegacia e registrar a ocorrência, mesmo que não queira dar prosseguimento criminal ao caso.
Ele ressaltou que o registro é fundamental para:
- Construir o histórico do agressor
- Auxiliar o Ministério Público e o Judiciário
- Evitar a sensação de impunidade
- Proteger possíveis vítimas futuras
Segundo o delegado, até mesmo agressões verbais, ameaças e xingamentos configuram violência e podem — e devem — ser registradas.
“Ainda que a pessoa não queira representar criminalmente, por laços familiares, amizade ou qualquer outro motivo, o registro é essencial”, reforçou.
Ainda dá tempo de registrar?
O delegado esclareceu que sim, ainda é possível registrar ocorrências passadas, desde que seja informada a data do fato. Em casos mais antigos, será avaliada a questão da prescrição, mas o registro continua sendo importante para fins de histórico e investigação.
Qualquer pessoa que já tenha sido vítima do mesmo agressor pode procurar a delegacia para formalizar a denúncia.
Um alerta à sociedade
O caso da senhora Luciene serve como um alerta para a sociedade sobre a necessidade de romper o silêncio diante da violência. Registrar uma ocorrência não é apenas um direito da vítima, mas também um ato de proteção coletiva.

Reportagem: Marcos Paulo
Rádio Alternativa




