Filha de Raimundo da Silva Pereira afirma que foram feitas várias ligações pedindo socorro antes da chegada da equipe; família diz ter registros dos chamados
A família de Raimundo da Silva Pereira, que morreu no último sábado (12) após passar mal dentro de um supermercado em Brumado, está questionando a demora no atendimento do Samu 192.
Em entrevista à Rádio Alternativa, a filha da vítima, Fabiana Alves da Silva, relatou que funcionários do estabelecimento, clientes e familiares teriam realizado diversas ligações em busca de atendimento.
Segundo Fabiana, a primeira solicitação de socorro teria ocorrido por volta das 21h35. De acordo com o relato, a equipe do Samu teria chegado ao local somente por volta das 22h40, quando o estado de saúde de Raimundo já era considerado grave.
“Teve várias ligações. Os funcionários do mercado, todo mundo ligando. Ligou para o Samu, ligou para a polícia, ligou para o Corpo de Bombeiros e nada de chegar”, relatou a filha.
FAMÍLIA DIZ TER SIDO INFORMADA SOBRE FALTA DE SOCORRISTA
Fabiana afirmou que, após o ocorrido, procurou profissionais do serviço para entender o motivo da demora. Segundo ela, teria sido informada de que havia ambulância disponível, mas não havia socorrista naquele momento, pois a unidade estaria em outra localidade.
“Viatura tinha, mas não tinha socorrista”, afirmou.
A filha disse que a situação tem provocado revolta e questionamentos dentro da família, principalmente pela dúvida sobre se o atendimento mais rápido poderia ter alterado o desfecho.
“Se tivesse chegado a tempo, será que ele não estava vivo? Isso que não sai da minha cabeça”, desabafou Fabiana.
HOMEM PASSOU MAL ENQUANTO FAZIA COMPRAS
De acordo com a família, Raimundo morava na zona rural e havia ido ao supermercado para fazer compras. Ele já teria colocado parte das compras em uma van quando retornou ao estabelecimento para pegar outros produtos.
Segundo relatos repassados à filha, Raimundo começou a passar mal próximo à área onde ficam os produtos de leite.
Clientes e funcionários tentaram prestar os primeiros socorros enquanto aguardavam a chegada das equipes. Fabiana afirmou que um cliente chegou a realizar massagens na vítima na tentativa de ajudá-la.
CORPO DE BOMBEIROS TAMBÉM FOI ACIONADO
A família informou ainda que o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar também foram acionados durante a ocorrência.
Segundo Fabiana, o Corpo de Bombeiros teria chegado antes da equipe do Samu. Ela, entretanto, afirmou não saber precisar o horário da chegada dos bombeiros.
A filha de Raimundo disse que possui registros de ligações, prints e fotografias relacionados à ocorrência e que pretende disponibilizar o material caso seja necessário esclarecer a sequência dos acontecimentos.
FAMÍLIA COBRA ESCLARECIMENTOS
A família afirma estar revoltada com o que considera uma demora no atendimento e busca esclarecimentos sobre o funcionamento do serviço de emergência no momento da ocorrência.
A Rádio Alternativa procurou ouvir a versão do Samu 192 sobre o caso e sobre a informação de que haveria ambulância disponível, mas ausência de socorrista. Até o momento, não foi apresentada nesta entrevista uma manifestação oficial do serviço sobre as circunstâncias do atendimento.
A causa da morte de Raimundo e se a demora no atendimento teve qualquer relação com o desfecho são questões que dependem de avaliação médica e das informações oficiais sobre o caso.




